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A
Cidade que temos
População: ......................................................................10
milhões
Orçamento anual: ............................................................R$
7,6 bilhões
Dívida: ...............................................................................R$
16,5 bilhões Produção de lixo diária: ...................................................15.000
toneladas População infantil excluída de escolas e de creches: .....294.000
Média diária de trânsito: ..................................................120
kms.
Educação
Cultura
Plano Diretor
Habitação
Trânsito
Transporte
Meio ambiente
Enchentes
Segurança
Recuperação do centro
Corrupção
Administração Regional
Saúde
Dívida municipal
Funcionalismo
Educação
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A lei exige que 30% das receitas municipais sejam aplicadas em educação.
Ela nunca foi cumprida. Pelos cálculos do Tribunal de Contas do
Município e do Ministério Público, a prefeitura deixou de investir
cerca de 1 bilhão de reais nos últimos dois anos. Os resultados
são visíveis: instalações deterioradas, falta de vagas e professores
mal pagos. As classes médias, que poderiam pressionar o governo
pela qualidade do ensino, mantém-se o mais longe que podem das escolas
públicas. Os problemas são tão gigantescos quanto o sistema: 905.605
alunos distribuídos em 835 escolas de educação infantil (de 4 a
6 anos) e fundamental (de 7 a 14 anos). A rede conta com 35 277
professores, que recebem salários entre R$ 394,72 e R$ 476,85 reais
(com curso superior) por vinte horas semanais. Cerca de 190.000
crianças de 4 a 6 anos estão fora da escola. No ensino fundamental,
faltam carteiras em algumas regiões da cidade, enquanto sobram em
outras. O excesso de burocracia impede a contratação emergencial
de 700 professores. O programa de informática também caminha a passos
lentos. A rede de 729 creches que atendem 91 739 crianças de 0 a
4 anos de idade teria de dobrar de tamanho para incluir outras 104
000 que e, essencial para aprimorar o ensino público. Abrir os prédios
nos fins de semana para atividades culturais e esportivas é uma
boa forma de aproximar os moradores da escola.
Cultura
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O equipamento básico é composto de 8 teatros inclusive o Teatro
Municipal, catorze casas de cultura, do Centro Cultural São Paulo
e de 65 bibliotecas - inclusive a Mário de Andrade -, a prefeitura
tem promovido 2.000 eventos por mês. Contam-se aí desde grandes
shows no Ibirapuera e óperas montadas no Municipal até oficinas
de pintura coletiva e confecção de pipas. O problema é a periferia.
Diversas regiões distantes do centro expandido não têm locais para
a realização de atividades culturais. Os investimentos também estão
concentrados em áreas de maior poder econômico. Para se ter uma
idéia, a única biblioteca construída nos últimos oito anos - a Alceu
Amoroso Lima - fica no bairro de Pinheiros.
Sugestões: Levar atividades para a
periferia não exige, necessariamente, grandes obras, como a construção
de biblioteco espaço mesmo em dias chuvosos ou à noite. É importante
firmar convênios com as secretarias de Esportes e Educação para
ocupar centros esportivos e escolas quando estes estiverem ociosos.
Plano
Diretor
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Saber
aonde se quer chegar já é meio caminho andado. Mas, para quem não
faz a mínima idéia de qual será seu destino, qualquer caminho serve.
Essa imagem ajuda a explicar o grande problema da administração
paulistana: a falta de rumo. Planejamento urbano, de verdade, é
aquele que define as grandes metas de circulação e transporte, desenvolvimento
econômico e regional, além de estratégias para os terrenos urbanos,
o chamado "uso do solo". A tudo isso se dá o nome de Plano Diretor
(PD). Parece um tema distante da vida cotidiana. Não é. Para o bem
e para o mal. Um detalhe no texto do PD é capaz de colocar ou tirar
centenas de caminhões da rua de sua casa. O último PD é de 1971,
quando a cidade possuía apenas dois dos atuais 45 shoppings, um
sexto dos carros e uma economia industrial que mudou radicalmente.
Sem uma visão atualizada e abrangente, a prefeitura tende a pensar
pequeno e implanta soluções localizadas, que geram novos problemas.
Um deles é a Lei de Zoneamento, desacreditada, desrespeitada - e
uma das maiores fontes de propina da caixinha dos fiscais. Um bom
PD reduz a possibilidade de negociatas de vereadores que se acreditam
donos da cidade a ponto de vendê-la aos pedaços.
Sugestões: Além dos componentes técnicos,
um Plano Diretor é um acordo político. Primeiro, a cidade deve eleger
um prefeito capaz de pensar grande e a longo prazo, com disposição
para negociar com o conjunto de sua sociedade. Na Câmara há um projeto
de Pitta. O próximo prefeito pode atualizá-lo e devolvê-lo à votação.
Ou jogá-lo no lixo e fazer outro. Isso talvez leve algum tempo.
Imediatamente, pode-se fazer o zoneamento funcionar, alterando-o
onde for necessário para criar oportunidades econômicas e de moradia
- como no centro, por exemplo.
Habitação
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Cerca
de 5 milhões de pessoas, ou metade da população paulistana, moram
em habitações irregulares. São 2,5 milhões vivendo em loteamentos
ilegais, 2 milhões em favelas e 600.000 em cortiços. O déficit habitacional
é estimado em 500.000 unidades. Dos 30.000 apartamentos do programa
habitacional Cingapura prometidos pelo atual prefeito (Pitta) na
campanha eleitoral, foram entregues 7.925. A prefeitura prevê a
conclusão de outros 1.865 até dezembro, completando 9.790 unidades
em quatro anos, menos de um terço do planejado. Mais casas estão
sendo tocadas em mutirões, retomados no ano passado, mas não há
previsão de quando ficarão prontas. Em outros programas, a atual
administração deve concluir mais 6.910 moradias. Isso quer dizer
que, na melhor das hipóteses, Pitta terminará o mandato com 16.700
unidades, média de 4.170 por ano. Nesse ritmo, seriam necessários
120 anos para acabar com o drama da falta de moradia. Os altos níveis
de inadimplência - 90% na Cohab e 50% no Cingapura - também colocam
em risco a continuidade dos projetos. Sugestões:
Segundo a Secretaria Municipal da Habitação, a maior parte dos loteamentos
ilegais pode ser regularizada e receber obras de infra-estrutura
básica. A construção por mutirões, embora mais lenta, tem um custo
máximo de 13.200 reais por unidade, contra os 23.000 reais no Cingapura.
A vantagem é que o próprio morador entra com a mão-de-obra. Desde
que feitas com critério e bem fiscalizadas, as Operações Interligadas
- sistema que arrecada verba para moradia popular vendendo alterações
do zoneamento a projetos imobiliários - podem alavancar recursos
para o setor. A prefeitura também precisa atuar em conjunto com
o Estado para coordenar os programas habitacionais. Outra medida
urgente é revisar a desatualizada legislação de ocupação e uso do
solo. Isso só será possível com a aprovação de um novo Plano Diretor
para a cidade.
Trânsito
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São
Paulo é a alegria da indústria automobilística. Neste ano, sua frota
chegou a 5 milhões de veículos. Dá um carro para cada dois habitantes,
uma das mais altas do mundo. Calcula-se que 3,5 milhões saiam às
ruas diariamente. O resultado é infernal. Apesar das grandes e caras
obras viárias, o que se vê é uma interminável fila de carros parados
em 120 quilômetros de congestionamento nos horários de pico. Além
de paciência, isso custa muito dinheiro. Segundo algumas estimativas,
a cada ano a cidade arca com um prejuízo de 500 milhões de reais
com o desperdício de combustível e o tempo perdido no tráfego. A
taxa de ocupação por veículo na cidade é muito baixa -- 62% dos
automóveis circulam apenas com uma pessoa e 27%, com duas. Boa parte
dos 160.000 caminhões que todos os dias atravancam as marginais
estão apenas de passagem para outros municípios.
Sugestões: É impossível solucionar
o problema do trânsito sem resolver as deficiências do transporte
público. No entanto, o uso mais racional da infra-estrutura disponível
ajudaria a diminuir o caos. O rodízio comprovou sua eficiência ao
reduzir os engarrafamentos em 28%. Os semáforos inteligentes, que
abrem e fecham de acordo com o fluxo de veículos, proporcionam um
aumento de 20% na velocidade média. Pena que somente 960 dos 4.300
faróis instalados operam nesse sistema. Reescalonar os horários
de entrada e saída de funcionários municipais, lojas e escolas pode
ser uma medida produtiva. A permissão para exploração de pedágio
na Marginal Tietê, em troca da construção de uma via expressa com
três faixas em cada sentido, reduziria a lentidão. Aprovada em primeira
votação na Câmara, a proposta precisa ser confirmada pelos vereadores.
Obra essencial para desafogar o tráfego, o Rodoanel está orçado
em 3,2 bilhões de reais e poderia livrar as marginais de até 30.000
caminhões por dia. Mas apenas 32 quilômetros de um total de 162
devem ser entregues no final do ano que vem.
Transporte
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Sofrem
os que andam de ônibus e sofrem, de outro jeito, os que andam de
automóvel. Sem um sistema de transporte coletivo decente, a cidade
enche-se de carros, e o trânsito emperra. Os trens metropolitanos
são insuficientes e muitos estão em estado deplorável. Os ônibus
rodam, em média, a 14 quilômetros por hora. O metrô, irrelevante
no imenso mapa da cidade, já dá sinais de saturação. É uma crueldade.
Cerca de 62,5% dos usuários perdem de uma a duas horas por dia no
trânsito, 20% passam de duas a três e 17,5%, mais de três horas.
Os 9.700 ônibus, que hoje transportam 3,7 milhões de passageiros
por dia, em 1994 levavam 6,5 milhões de pessoas. Nesse vácuo, 13.000
peruas clandestinas disputam espaço nas ruas. Tudo isso é fruto
da falta de uma política global e de investimentos no setor.
Sugestões: Parece o paradoxo do biscoito.
Para melhorar o sistema, é preciso atrair a classe média. Para atraí-la
é necessário melhorar o sistema, aumentando a velocidade e a eficiência
de ônibus (de exclusiva responsabilidade da prefeitura) e investindo
em trens e metrô (ambos da esfera estadual). Uma das soluções mais
baratas para os ônibus (2 milhões de reais por quilômetro) são os
corredores exclusivos, onde os veículos podem rodar a 25 quilômetros
por hora. Com maior rapidez, os custos cairiam até 30%. É preciso
fazer parcerias com o Estado para integrar os ônibus aos 133 quilômetros
da CPTM, subutilizados, e aos 49,2 do metrô. O serviço de vans deve
ser disciplinado e integrado ao sistema.
Meio
ambiente [voltar
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Todos
sentem na pele, cheiram, vêem e ouvem. Não é necessário ser ecologista
para perceber a cruel presença da poluição atmosférica, visual e
sonora na cidade. As áreas verdes, raros oásis nessa paisagem desolada,
são insuficientes (4,8 metros quadrados por habitante, contra os
12 recomendados pela ONU). Temos 31 parques municipais, com 15 quilômetros
quadrados, a maioria com problemas de segurança e conservação. As
poucas reservas que restam estão ameaçadas. A questão do lixo é
uma verdadeira bomba-relógio. Das 15 000 toneladas de detrito produzidas
diariamente, 95% são levadas a dois aterros sanitários, que terão
a capacidade esgotada até 2002.
Sugestões: Com fiscalização rigorosa,
a prefeitura tem condições de reduzir o excesso de ruído e de poluição
visual - que só pode ser vencida com um bom plano paisagístico.
Combater a má qualidade do ar é atribuição do Estado. Se aplicar
os recursos com competência, a prefeitura pode criar novos parques
e conservar melhor os já existentes. As regiões de mananciais devem
ser vigiadas, para evitar invasões. O lixo exige pelo menos duas
providências imediatas. Primeiro, a prefeitura precisará encontrar
um terreno para instalar um novo aterro sanitário, sob o risco de,
brevemente, ter de exportar os detritos para outro município. Depois,
fazer um programa de reciclagem - levando em conta desde as possibilidades
de reaproveitamento do lixo doméstico até a normatização dos exércitos
de catadores de vidro, plástico e papelão que atuam pela cidade.
Enchentes
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Quando
as chuvas de verão começam a cair, o paulistano já se prepara para
enfrentar o pior. Fruto, sobretudo, da ocupação desordenada da cidade
- as várzeas dos rios, mais sujeitas a inundações, estão tomadas
por avenidas e casas -, as previsíveis enchentes são agravadas pela
falta de uma política que diminua suas conseqüências. Pelo menos
600 dos 3.000 quilômetros de galerias pluviais já não comportam
o volume de água. A impermeabilização do solo aumenta a velocidade
da água da chuva que chega ao Tietê, que transborda cada vez mais
rapidamente. Os alagamentos, contudo, ocorrem mesmo em locais distantes
dos rios, principalmente por causa do entupimento das bocas-de-lobo.
Sugestões: Se não há como acabar com
o problema das enchentes, pelo menos é possível diminuir os efeitos
das chuvas. O governo estadual anunciou que irá concluir as obras
de rebaixamento da calha do Rio Tietê em 2003. Caso a promessa seja
cumprida, será um alívio para quem sofre com os congestionamentos
na marginal ou mora perto. Mas a prefeitura ainda tem muito a fazer.
Como a água encontra sempre um caminho, esse é um problema que não
se resolve com medidas isoladas. O próximo prefeito terá de montar
um plano integrado, com as administrações vizinhas e com o Estado.
Para aumentar a permeabilização, é possível trocar calçadas por
gramados, fazer mais praças e reservatórios em edifícios, além de
usar pavimento poroso em ruas secundárias e em grandes estacionamentos.
A prefeitura tem de construir mais piscinões, já que onde eles foram
feitos as enchentes diminuíram consideravelmente. Quando a cheia
é inevitável, é essencial manter sistemas de alerta capazes de prever
transbordamentos com até três horas de antecedência. É importante
ainda substituir galerias obsoletas e limpar bueiros com maior regularidade.
Porém, nada disso adiantará se não forem feitas campanhas de conscientização
para que o paulistano não jogue lixo nas ruas.
Segurança
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Eis
um problema gravíssimo, cuja responsabilidade direta não cabe à
prefeitura. Numa cidade com quinze homicídios e 300 assaltos por
dia, embora disponha de um contingente de 19.529 PMs e 11.367 policiais
civis, o papel de combate ao crime está nas mãos do governo do Estado.
A questão é que a prefeitura não cumpre a sua parte. No ano passado,
por exemplo, a PM perdeu mais de 50.000 horas de patrulhamento socorrendo
parturientes e removendo doentes mentais, trabalho que caberia à
assistência social do município. Os 4.300 homens da Guarda Civil
Metropolitana (GCM) também são insuficientes para vigiar adequadamente
as escolas municipais e o patrimônio público.
Sugestões: O que a prefeitura pode
fazer é cumprir suas tarefas básicas, de maneira a facilitar a prevenção
de atos criminosos. Deve, por exemplo, iluminar convenientemente
as ruas, fiscalizar hotéis e boates que dão suporte à prostituição,
coibir o excesso de ruídos em bares e danceterias, retirar ambulantes.
Ajudaria muito. Veja-se o caso da Praça da Sé. Após a remoção dos
camelôs, em 1997, o número de roubos caiu 70%. A prefeitura pode
contribuir para o combate à infração contra o espaço público. São
milhares de caçambas, cavaletes, pontos de táxi não autorizados,
perueiros ilegais, construções irregulares e lojas que se apropriam
das calçadas.
Recuperação
do centro [voltar
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Durante o dia, o centro de São Paulo é um formigueiro. A área de
4,4 quilômetros quadrados formada pelos distritos da Sé e República
recebe diariamente 2,8 milhões de pessoas. Depois que o sol se põe,
menos de 3% delas ficam na região. São 70.000 moradores - número
muito reduzido, que mostra quanto é desequilibrada sua ocupação.
A Operação Urbana Centro, criada em 1997, é um avanço que permite
melhor uso do solo. Mas ainda não atraiu novos empreendimentos,
como se esperava. São três os principais motivos que levam pessoas
físicas e empresas a torcer o nariz para o centro: os camelôs que
tomam conta dos calçadões, a insegurança e a dificuldade de acesso.
Algumas áreas estão extremamente degradadas, como a zona cerealista
e a cracolândia. Embora conte com sete estações de metrô, uma linha
de trem e pontos finais de numerosas linhas de ônibus, o sistema
de transportes está sobrecarregado. O trânsito de automóveis é precário.
Sugestões: O centro precisa de soluções
integradas, que promovam o uso misto (residencial e comercial).
No front residencial a prefeitura pode estimular a construção de
conjuntos residenciais, articulando a formação de áreas que possam
servir a novos empreendimentos ou mesmo promovendo desapropriações.
Com incentivos, como diminuição do ISS e isenção de IPTU, poderia
atrair mais empresas. Outra medida necessária é a transferência
de sedes do poder público para o centro. O governo estadual planeja
sua mudança para a região. A prefeitura precisa negociar com o Estado
e providenciar meios para que a proposta se concretize. Ali, a simples
diminuição da presença excessiva de camelôs foi determinante para
reduzir a criminalidade. Para facilitar o acesso, deve-se investir
na malha ferroviária já existente e integrar às estações um sistema
de microônibus. Os terminais de ônibus podem ser deslocados para
o entorno da região central. Além de aliviar o trânsito, a medida
tiraria do centro 800 000 pessoas que só vão até lá para fazer baldeação.
Corrupção
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O
Ministério Público calcula que, só nos últimos oito anos, a corrupção
devorou 15 bilhões de reais da prefeitura de São Paulo. É um número
estimado que pode estar longe da realidade. Mas, mesmo que seja
a metade disso, corresponde a um orçamento anual do município. Essa
dinheirama escorreu dos cofres públicos em três frentes principais:
multas que deixaram de ser cobradas; "impostos que não foram arrecadados
por causa da vista grossa dos fiscais; e superfaturamento em obras
e serviços. Desde o início das denúncias contra a máfia dos fiscais,
em 1998, descobriu-se que a propina estava arraigada na cidade --
da cessão de espaço na calçada para os camelôs à fiscalização de
coleta de lixo. Hoje, mais de 600 pessoas estão sendo investigadas.
Entre os vereadores há dezesseis sob investigação. Oito deles foram
denunciados (José Izar, Hanna Gharib, Maeli Vergniano, Maria Helena,
Dito Salim, Faria Lima, Armando Mellão e Vicente Viscome, este condenado
e preso). Alguns Números: Desde 1998 o Ministério Público investiga
muitas falcatruas. Alguns dados: 600 pessoas investigadas, 155 denunciadas,
49 condenadas, 16 vereadores investigados, 8 vereadores denunciados,
1 vereador condenado.
Sugestões: É possível, ao menos, inibir
a roubalheira, vigiando de perto quem lida com dinheiro público.
O primeiro passo é montar uma corregedoria independente, com funcionários
e moradores que fiscalizem as ações dos fiscais. Para combater o
clima de impunidade, deve-se agilizar os processos disciplinares.
O excessivo número de leis e normas funciona muitas vezes como "dificuldade
que serve para vender facilidades". Diminuí-las significa menos
burocracia e menos espaço para achaques. Para evitar os superfaturamentos,
a sociedade civil precisa ter acesso às informações da administração
municipal e execução orçamentária (vendo, assim, o que está sendo
gasto e onde). A internet é um dos meios para divulgar esses dados.
Administração
regional
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É pela administração regional que a prefeitura mais se aproxima
da população. Por meio dela são prestados - ou não - serviços de
importância capital para os moradores, como manutenção e limpeza
de galerias e bocas-de-lobo, praças e jardins, poda e corte de árvores,
operação tapa-buraco, fiscalização da varrição e coleta de lixo,
concessão de licença de funcionamento e habite-se. Um dos principais
problemas é que seu controle costuma ser loteado entre vereadores
da base governista. O resultado é conhecido. Quase todas as 28 regionais
estão sob investigação do Ministério Público. A exceção é a do Itaim
Paulista. Criada no início de julho, ainda não teve tempo de produzir
seu próprio escândalo. Sem autonomia administrativa e financeira,
as ARs não conseguem planejar ações regionais. Além disso, quase
metade de suas 669 vagas de fiscais estão abertas. Com mais fiscais
- desde que trabalhando direito - a cidade não teria de conviver
com tanta poluição visual, multidões de ambulantes irregulares e
mato alto nas praças.
Sugestões: Constituir as subprefeituras
e os conselhos de representantes de moradores. Essa descentralização
já está prevista na Lei Orgânica do Município, em vigor desde 1990,
mas depende de regulamentação da Câmara Municipal. Os subprefeitos
teriam orçamento próprio e trabalhariam com representantes das secretarias.
Cada subprefeitura teria autonomia para detectar os principais problemas
da sua região e formar seu quadro de funcionários. O ponto mais
controvertido é a forma de escolha dos subprefeitos. Há três propostas
básicas: eleição direta; nomeação pelo prefeito após apresentação
de lista tríplice pelo conselho de representantes; e simples nomeação,
pelo prefeito.
Saúde
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São
Paulo tem um sistema híbrido de assistência à saúde. Mistura unidades
gerenciadas por cooperativas médicas e pelo município. Por isso,
não cumpre uma das exigências do Sistema Único de Saúde, SUS - a
municipalização do atendimento básico -, deixando de receber 250
milhões de reais por ano do governo federal. A prefeitura arca com
150 milhões de reais anuais em salários de 10.400 funcionários que
não aderiram às cooperativas e estão subaproveitados em outras secretarias.
Diante da falta de integração com o Estado, as unidades básicas
são mal aproveitadas e os hospitais de alta complexidade acabam
ficando lotados. A cidade tem um número aceitável de leitos (2,75
para cada 1 000 habitantes, quando a recomendação da Organização
Mundial da Saúde, OMS, é de 3 por 1.000), mas são mal distribuídos.
Sugestões: Definir um rumo para a
saúde. Para receber a verba do SUS, a prefeitura deve municipalizar
as unidades básicas. É preciso integrar os serviços municipais e
estaduais, montando uma rede hospitalar que atenda de forma equânime
às diversas regiões. Nos bairros, ficariam as unidades básicas.
Cada região teria seu hospital de referência e ambulatórios de especialidades.
Esses hospitais estariam ligados a uma unidade de alta complexidade.
Assim, seria reduzida a superlotação em hospitais como o Hospital
das Clínicas. Estima-se que 90% dos casos possam ser resolvidos
em unidades básicas bem equipadas, 9% em hospitais gerais e apenas
1% em hospitais superespecializados. Duas outras ações devem ser
estudadas: construção de novos hospitais e adoção de um programa
de agentes comunitários de saúde.
Dívida
municipal [voltar
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A
situação da prefeitura é dramática. Ela tem uma dívida de 16,5 bilhões
de reais - mais de duas vezes o orçamento anual, de 7,6 bilhões.
Já em 2001, o novo prefeito precisará desembolsar até 13% da receita
líquida do município (780 milhões de reais) para cumprir o acordo
firmado entre Pitta e o governo federal na renegociação de 10,5
bilhões de reais. Também herdará um débito de 1,47 bilhão em restos
a pagar (350 milhões de reais por ano). Acrescentando-se as despesas
fixas com pessoal (3 bilhões por ano) e custeio (2,2 bilhões) o
desembolso chega a 6,3 bilhões, apenas 100 milhões a menos que todo
o dinheiro que entrou nos cofres municipais no ano passado. Há mais.
Para conseguir juros de 6% ao ano, Pitta comprometeu-se a quitar
20% do valor renegociado (2,1 bilhões de reais) em trinta meses.
O acordo proíbe novos financiamentos, com exceção de 200 milhões
de reais para a recuperação do centro e outros 741 milhões para
transporte público.
Sugestões: Renegociar com os credores
e reforçar o caixa. A renegociação pode começar com fornecedores.
Fazendo isso e controlando o orçamento, a nova administração pode
reduzir os gastos de custeio e investir em outras áreas. O novo
prefeito terá de tentar com o governo federal uma redução nos 13%
da receita comprometidos com a dívida. O mesmo vale para os 2,1
bilhões que devem ser pagos em trinta meses. O município possui
7 bilhões de reais em imóveis e pode vender parte deles. Também
é possível obter recursos com a cobrança de parte da dívida ativa.
São 5,8 bilhões de reais que a prefeitura tem a receber. Outra possibilidade
de fazer caixa é a privatização de órgãos, como o Anhembi, o Estádio
do Pacaembu e o Autódromo de Interlagos.
Funcionalismo
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Problematização:
Muitos paulistanos têm verdadeira ojeriza ao funcionalismo público.
Quem já enfrentou fila em alguma repartição municipal entende o
porquê. Poucos órgãos de prefeitura contam com estrutura adequada
ao atendimento. Os funcionários se queixam de vencimentos defasados
(o sindicato reivindica 147% de reposição salarial), da falta de
uma política de aperfeiçoamento profissional e de planos de carreira.
Trata-se de uma máquina gigantesca, com 105 000 funcionários. O
salário médio do pessoal da ativa é de 300 reais. Muitos, porém,
são contratados por autarquias, como Anhembi e Prodam, e, comissionados,
chegam a receber trinta vezes mais.
Sugestões: É preciso motivar quem
está do lado de trás do balcão. Para isso, é essencial rever a política
salarial (verificar quais cargos têm salários incompatíveis com
a função e negociar dívidas na Justiça), implantar planos de carreira,
informatizar os órgãos públicos e capacitar os funcionários para
o uso da nova tecnologia. Basta uma gerência competente para identificar
quem está trabalhando e quem está apenas fazendo número. É necessário
ainda aplicar mecanismos de punição aos maus servidores (inquérito,
suspensão e exoneração) e restringir as contratações sem concurso
apenas a cargos que sejam realmente de confiança, como no caso dos
chefes de gabinete.
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