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São Paulo

 

Câmara 2001


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A Cidade que temos

População: ......................................................................10 milhões
Orçamento anual: ............................................................R$ 7,6 bilhões
Dívida: ...............................................................................R$ 16,5 bilhões Produção de lixo diária: ...................................................15.000 toneladas População infantil excluída de escolas e de creches: .....294.000
Média diária de trânsito: ..................................................120 kms.

Educação
Cultura
Plano Diretor
Habitação
Trânsito
Transporte
Meio ambiente
Enchentes
Segurança
Recuperação do centro
Corrupção
Administração Regional
Saúde
Dívida municipal
Funcionalismo

 

Educação [voltar para o topo]
A lei exige que 30% das receitas municipais sejam aplicadas em educação. Ela nunca foi cumprida. Pelos cálculos do Tribunal de Contas do Município e do Ministério Público, a prefeitura deixou de investir cerca de 1 bilhão de reais nos últimos dois anos. Os resultados são visíveis: instalações deterioradas, falta de vagas e professores mal pagos. As classes médias, que poderiam pressionar o governo pela qualidade do ensino, mantém-se o mais longe que podem das escolas públicas. Os problemas são tão gigantescos quanto o sistema: 905.605 alunos distribuídos em 835 escolas de educação infantil (de 4 a 6 anos) e fundamental (de 7 a 14 anos). A rede conta com 35 277 professores, que recebem salários entre R$ 394,72 e R$ 476,85 reais (com curso superior) por vinte horas semanais. Cerca de 190.000 crianças de 4 a 6 anos estão fora da escola. No ensino fundamental, faltam carteiras em algumas regiões da cidade, enquanto sobram em outras. O excesso de burocracia impede a contratação emergencial de 700 professores. O programa de informática também caminha a passos lentos. A rede de 729 creches que atendem 91 739 crianças de 0 a 4 anos de idade teria de dobrar de tamanho para incluir outras 104 000 que e, essencial para aprimorar o ensino público. Abrir os prédios nos fins de semana para atividades culturais e esportivas é uma boa forma de aproximar os moradores da escola.

Cultura [voltar para o topo]
O equipamento básico é composto de 8 teatros inclusive o Teatro Municipal, catorze casas de cultura, do Centro Cultural São Paulo e de 65 bibliotecas - inclusive a Mário de Andrade -, a prefeitura tem promovido 2.000 eventos por mês. Contam-se aí desde grandes shows no Ibirapuera e óperas montadas no Municipal até oficinas de pintura coletiva e confecção de pipas. O problema é a periferia. Diversas regiões distantes do centro expandido não têm locais para a realização de atividades culturais. Os investimentos também estão concentrados em áreas de maior poder econômico. Para se ter uma idéia, a única biblioteca construída nos últimos oito anos - a Alceu Amoroso Lima - fica no bairro de Pinheiros.
Sugestões: Levar atividades para a periferia não exige, necessariamente, grandes obras, como a construção de biblioteco espaço mesmo em dias chuvosos ou à noite. É importante firmar convênios com as secretarias de Esportes e Educação para ocupar centros esportivos e escolas quando estes estiverem ociosos.

Plano Diretor [voltar para o topo]
Saber aonde se quer chegar já é meio caminho andado. Mas, para quem não faz a mínima idéia de qual será seu destino, qualquer caminho serve. Essa imagem ajuda a explicar o grande problema da administração paulistana: a falta de rumo. Planejamento urbano, de verdade, é aquele que define as grandes metas de circulação e transporte, desenvolvimento econômico e regional, além de estratégias para os terrenos urbanos, o chamado "uso do solo". A tudo isso se dá o nome de Plano Diretor (PD). Parece um tema distante da vida cotidiana. Não é. Para o bem e para o mal. Um detalhe no texto do PD é capaz de colocar ou tirar centenas de caminhões da rua de sua casa. O último PD é de 1971, quando a cidade possuía apenas dois dos atuais 45 shoppings, um sexto dos carros e uma economia industrial que mudou radicalmente. Sem uma visão atualizada e abrangente, a prefeitura tende a pensar pequeno e implanta soluções localizadas, que geram novos problemas. Um deles é a Lei de Zoneamento, desacreditada, desrespeitada - e uma das maiores fontes de propina da caixinha dos fiscais. Um bom PD reduz a possibilidade de negociatas de vereadores que se acreditam donos da cidade a ponto de vendê-la aos pedaços.
Sugestões: Além dos componentes técnicos, um Plano Diretor é um acordo político. Primeiro, a cidade deve eleger um prefeito capaz de pensar grande e a longo prazo, com disposição para negociar com o conjunto de sua sociedade. Na Câmara há um projeto de Pitta. O próximo prefeito pode atualizá-lo e devolvê-lo à votação. Ou jogá-lo no lixo e fazer outro. Isso talvez leve algum tempo. Imediatamente, pode-se fazer o zoneamento funcionar, alterando-o onde for necessário para criar oportunidades econômicas e de moradia - como no centro, por exemplo.

Habitação [voltar para o topo]
Cerca de 5 milhões de pessoas, ou metade da população paulistana, moram em habitações irregulares. São 2,5 milhões vivendo em loteamentos ilegais, 2 milhões em favelas e 600.000 em cortiços. O déficit habitacional é estimado em 500.000 unidades. Dos 30.000 apartamentos do programa habitacional Cingapura prometidos pelo atual prefeito (Pitta) na campanha eleitoral, foram entregues 7.925. A prefeitura prevê a conclusão de outros 1.865 até dezembro, completando 9.790 unidades em quatro anos, menos de um terço do planejado. Mais casas estão sendo tocadas em mutirões, retomados no ano passado, mas não há previsão de quando ficarão prontas. Em outros programas, a atual administração deve concluir mais 6.910 moradias. Isso quer dizer que, na melhor das hipóteses, Pitta terminará o mandato com 16.700 unidades, média de 4.170 por ano. Nesse ritmo, seriam necessários 120 anos para acabar com o drama da falta de moradia. Os altos níveis de inadimplência - 90% na Cohab e 50% no Cingapura - também colocam em risco a continuidade dos projetos. Sugestões: Segundo a Secretaria Municipal da Habitação, a maior parte dos loteamentos ilegais pode ser regularizada e receber obras de infra-estrutura básica. A construção por mutirões, embora mais lenta, tem um custo máximo de 13.200 reais por unidade, contra os 23.000 reais no Cingapura. A vantagem é que o próprio morador entra com a mão-de-obra. Desde que feitas com critério e bem fiscalizadas, as Operações Interligadas - sistema que arrecada verba para moradia popular vendendo alterações do zoneamento a projetos imobiliários - podem alavancar recursos para o setor. A prefeitura também precisa atuar em conjunto com o Estado para coordenar os programas habitacionais. Outra medida urgente é revisar a desatualizada legislação de ocupação e uso do solo. Isso só será possível com a aprovação de um novo Plano Diretor para a cidade.

Trânsito [voltar para o topo]
São Paulo é a alegria da indústria automobilística. Neste ano, sua frota chegou a 5 milhões de veículos. Dá um carro para cada dois habitantes, uma das mais altas do mundo. Calcula-se que 3,5 milhões saiam às ruas diariamente. O resultado é infernal. Apesar das grandes e caras obras viárias, o que se vê é uma interminável fila de carros parados em 120 quilômetros de congestionamento nos horários de pico. Além de paciência, isso custa muito dinheiro. Segundo algumas estimativas, a cada ano a cidade arca com um prejuízo de 500 milhões de reais com o desperdício de combustível e o tempo perdido no tráfego. A taxa de ocupação por veículo na cidade é muito baixa -- 62% dos automóveis circulam apenas com uma pessoa e 27%, com duas. Boa parte dos 160.000 caminhões que todos os dias atravancam as marginais estão apenas de passagem para outros municípios.
Sugestões: É impossível solucionar o problema do trânsito sem resolver as deficiências do transporte público. No entanto, o uso mais racional da infra-estrutura disponível ajudaria a diminuir o caos. O rodízio comprovou sua eficiência ao reduzir os engarrafamentos em 28%. Os semáforos inteligentes, que abrem e fecham de acordo com o fluxo de veículos, proporcionam um aumento de 20% na velocidade média. Pena que somente 960 dos 4.300 faróis instalados operam nesse sistema. Reescalonar os horários de entrada e saída de funcionários municipais, lojas e escolas pode ser uma medida produtiva. A permissão para exploração de pedágio na Marginal Tietê, em troca da construção de uma via expressa com três faixas em cada sentido, reduziria a lentidão. Aprovada em primeira votação na Câmara, a proposta precisa ser confirmada pelos vereadores. Obra essencial para desafogar o tráfego, o Rodoanel está orçado em 3,2 bilhões de reais e poderia livrar as marginais de até 30.000 caminhões por dia. Mas apenas 32 quilômetros de um total de 162 devem ser entregues no final do ano que vem.

Transporte [voltar para o topo]
Sofrem os que andam de ônibus e sofrem, de outro jeito, os que andam de automóvel. Sem um sistema de transporte coletivo decente, a cidade enche-se de carros, e o trânsito emperra. Os trens metropolitanos são insuficientes e muitos estão em estado deplorável. Os ônibus rodam, em média, a 14 quilômetros por hora. O metrô, irrelevante no imenso mapa da cidade, já dá sinais de saturação. É uma crueldade. Cerca de 62,5% dos usuários perdem de uma a duas horas por dia no trânsito, 20% passam de duas a três e 17,5%, mais de três horas. Os 9.700 ônibus, que hoje transportam 3,7 milhões de passageiros por dia, em 1994 levavam 6,5 milhões de pessoas. Nesse vácuo, 13.000 peruas clandestinas disputam espaço nas ruas. Tudo isso é fruto da falta de uma política global e de investimentos no setor.
Sugestões: Parece o paradoxo do biscoito. Para melhorar o sistema, é preciso atrair a classe média. Para atraí-la é necessário melhorar o sistema, aumentando a velocidade e a eficiência de ônibus (de exclusiva responsabilidade da prefeitura) e investindo em trens e metrô (ambos da esfera estadual). Uma das soluções mais baratas para os ônibus (2 milhões de reais por quilômetro) são os corredores exclusivos, onde os veículos podem rodar a 25 quilômetros por hora. Com maior rapidez, os custos cairiam até 30%. É preciso fazer parcerias com o Estado para integrar os ônibus aos 133 quilômetros da CPTM, subutilizados, e aos 49,2 do metrô. O serviço de vans deve ser disciplinado e integrado ao sistema.

Meio ambiente [voltar para o topo]
Todos sentem na pele, cheiram, vêem e ouvem. Não é necessário ser ecologista para perceber a cruel presença da poluição atmosférica, visual e sonora na cidade. As áreas verdes, raros oásis nessa paisagem desolada, são insuficientes (4,8 metros quadrados por habitante, contra os 12 recomendados pela ONU). Temos 31 parques municipais, com 15 quilômetros quadrados, a maioria com problemas de segurança e conservação. As poucas reservas que restam estão ameaçadas. A questão do lixo é uma verdadeira bomba-relógio. Das 15 000 toneladas de detrito produzidas diariamente, 95% são levadas a dois aterros sanitários, que terão a capacidade esgotada até 2002.
Sugestões: Com fiscalização rigorosa, a prefeitura tem condições de reduzir o excesso de ruído e de poluição visual - que só pode ser vencida com um bom plano paisagístico. Combater a má qualidade do ar é atribuição do Estado. Se aplicar os recursos com competência, a prefeitura pode criar novos parques e conservar melhor os já existentes. As regiões de mananciais devem ser vigiadas, para evitar invasões. O lixo exige pelo menos duas providências imediatas. Primeiro, a prefeitura precisará encontrar um terreno para instalar um novo aterro sanitário, sob o risco de, brevemente, ter de exportar os detritos para outro município. Depois, fazer um programa de reciclagem - levando em conta desde as possibilidades de reaproveitamento do lixo doméstico até a normatização dos exércitos de catadores de vidro, plástico e papelão que atuam pela cidade.

Enchentes [voltar para o topo]
Quando as chuvas de verão começam a cair, o paulistano já se prepara para enfrentar o pior. Fruto, sobretudo, da ocupação desordenada da cidade - as várzeas dos rios, mais sujeitas a inundações, estão tomadas por avenidas e casas -, as previsíveis enchentes são agravadas pela falta de uma política que diminua suas conseqüências. Pelo menos 600 dos 3.000 quilômetros de galerias pluviais já não comportam o volume de água. A impermeabilização do solo aumenta a velocidade da água da chuva que chega ao Tietê, que transborda cada vez mais rapidamente. Os alagamentos, contudo, ocorrem mesmo em locais distantes dos rios, principalmente por causa do entupimento das bocas-de-lobo.
Sugestões: Se não há como acabar com o problema das enchentes, pelo menos é possível diminuir os efeitos das chuvas. O governo estadual anunciou que irá concluir as obras de rebaixamento da calha do Rio Tietê em 2003. Caso a promessa seja cumprida, será um alívio para quem sofre com os congestionamentos na marginal ou mora perto. Mas a prefeitura ainda tem muito a fazer. Como a água encontra sempre um caminho, esse é um problema que não se resolve com medidas isoladas. O próximo prefeito terá de montar um plano integrado, com as administrações vizinhas e com o Estado. Para aumentar a permeabilização, é possível trocar calçadas por gramados, fazer mais praças e reservatórios em edifícios, além de usar pavimento poroso em ruas secundárias e em grandes estacionamentos. A prefeitura tem de construir mais piscinões, já que onde eles foram feitos as enchentes diminuíram consideravelmente. Quando a cheia é inevitável, é essencial manter sistemas de alerta capazes de prever transbordamentos com até três horas de antecedência. É importante ainda substituir galerias obsoletas e limpar bueiros com maior regularidade. Porém, nada disso adiantará se não forem feitas campanhas de conscientização para que o paulistano não jogue lixo nas ruas.

Segurança [voltar para o topo]
Eis um problema gravíssimo, cuja responsabilidade direta não cabe à prefeitura. Numa cidade com quinze homicídios e 300 assaltos por dia, embora disponha de um contingente de 19.529 PMs e 11.367 policiais civis, o papel de combate ao crime está nas mãos do governo do Estado. A questão é que a prefeitura não cumpre a sua parte. No ano passado, por exemplo, a PM perdeu mais de 50.000 horas de patrulhamento socorrendo parturientes e removendo doentes mentais, trabalho que caberia à assistência social do município. Os 4.300 homens da Guarda Civil Metropolitana (GCM) também são insuficientes para vigiar adequadamente as escolas municipais e o patrimônio público.
Sugestões: O que a prefeitura pode fazer é cumprir suas tarefas básicas, de maneira a facilitar a prevenção de atos criminosos. Deve, por exemplo, iluminar convenientemente as ruas, fiscalizar hotéis e boates que dão suporte à prostituição, coibir o excesso de ruídos em bares e danceterias, retirar ambulantes. Ajudaria muito. Veja-se o caso da Praça da Sé. Após a remoção dos camelôs, em 1997, o número de roubos caiu 70%. A prefeitura pode contribuir para o combate à infração contra o espaço público. São milhares de caçambas, cavaletes, pontos de táxi não autorizados, perueiros ilegais, construções irregulares e lojas que se apropriam das calçadas.

Recuperação do centro [voltar para o topo]
Durante o dia, o centro de São Paulo é um formigueiro. A área de 4,4 quilômetros quadrados formada pelos distritos da Sé e República recebe diariamente 2,8 milhões de pessoas. Depois que o sol se põe, menos de 3% delas ficam na região. São 70.000 moradores - número muito reduzido, que mostra quanto é desequilibrada sua ocupação. A Operação Urbana Centro, criada em 1997, é um avanço que permite melhor uso do solo. Mas ainda não atraiu novos empreendimentos, como se esperava. São três os principais motivos que levam pessoas físicas e empresas a torcer o nariz para o centro: os camelôs que tomam conta dos calçadões, a insegurança e a dificuldade de acesso. Algumas áreas estão extremamente degradadas, como a zona cerealista e a cracolândia. Embora conte com sete estações de metrô, uma linha de trem e pontos finais de numerosas linhas de ônibus, o sistema de transportes está sobrecarregado. O trânsito de automóveis é precário.
Sugestões: O centro precisa de soluções integradas, que promovam o uso misto (residencial e comercial). No front residencial a prefeitura pode estimular a construção de conjuntos residenciais, articulando a formação de áreas que possam servir a novos empreendimentos ou mesmo promovendo desapropriações. Com incentivos, como diminuição do ISS e isenção de IPTU, poderia atrair mais empresas. Outra medida necessária é a transferência de sedes do poder público para o centro. O governo estadual planeja sua mudança para a região. A prefeitura precisa negociar com o Estado e providenciar meios para que a proposta se concretize. Ali, a simples diminuição da presença excessiva de camelôs foi determinante para reduzir a criminalidade. Para facilitar o acesso, deve-se investir na malha ferroviária já existente e integrar às estações um sistema de microônibus. Os terminais de ônibus podem ser deslocados para o entorno da região central. Além de aliviar o trânsito, a medida tiraria do centro 800 000 pessoas que só vão até lá para fazer baldeação.

Corrupção [voltar para o topo]
O Ministério Público calcula que, só nos últimos oito anos, a corrupção devorou 15 bilhões de reais da prefeitura de São Paulo. É um número estimado que pode estar longe da realidade. Mas, mesmo que seja a metade disso, corresponde a um orçamento anual do município. Essa dinheirama escorreu dos cofres públicos em três frentes principais: multas que deixaram de ser cobradas; "impostos que não foram arrecadados por causa da vista grossa dos fiscais; e superfaturamento em obras e serviços. Desde o início das denúncias contra a máfia dos fiscais, em 1998, descobriu-se que a propina estava arraigada na cidade -- da cessão de espaço na calçada para os camelôs à fiscalização de coleta de lixo. Hoje, mais de 600 pessoas estão sendo investigadas. Entre os vereadores há dezesseis sob investigação. Oito deles foram denunciados (José Izar, Hanna Gharib, Maeli Vergniano, Maria Helena, Dito Salim, Faria Lima, Armando Mellão e Vicente Viscome, este condenado e preso). Alguns Números: Desde 1998 o Ministério Público investiga muitas falcatruas. Alguns dados: 600 pessoas investigadas, 155 denunciadas, 49 condenadas, 16 vereadores investigados, 8 vereadores denunciados, 1 vereador condenado.
Sugestões: É possível, ao menos, inibir a roubalheira, vigiando de perto quem lida com dinheiro público. O primeiro passo é montar uma corregedoria independente, com funcionários e moradores que fiscalizem as ações dos fiscais. Para combater o clima de impunidade, deve-se agilizar os processos disciplinares. O excessivo número de leis e normas funciona muitas vezes como "dificuldade que serve para vender facilidades". Diminuí-las significa menos burocracia e menos espaço para achaques. Para evitar os superfaturamentos, a sociedade civil precisa ter acesso às informações da administração municipal e execução orçamentária (vendo, assim, o que está sendo gasto e onde). A internet é um dos meios para divulgar esses dados.

Administração regional [voltar para o topo]
É pela administração regional que a prefeitura mais se aproxima da população. Por meio dela são prestados - ou não - serviços de importância capital para os moradores, como manutenção e limpeza de galerias e bocas-de-lobo, praças e jardins, poda e corte de árvores, operação tapa-buraco, fiscalização da varrição e coleta de lixo, concessão de licença de funcionamento e habite-se. Um dos principais problemas é que seu controle costuma ser loteado entre vereadores da base governista. O resultado é conhecido. Quase todas as 28 regionais estão sob investigação do Ministério Público. A exceção é a do Itaim Paulista. Criada no início de julho, ainda não teve tempo de produzir seu próprio escândalo. Sem autonomia administrativa e financeira, as ARs não conseguem planejar ações regionais. Além disso, quase metade de suas 669 vagas de fiscais estão abertas. Com mais fiscais - desde que trabalhando direito - a cidade não teria de conviver com tanta poluição visual, multidões de ambulantes irregulares e mato alto nas praças.
Sugestões: Constituir as subprefeituras e os conselhos de representantes de moradores. Essa descentralização já está prevista na Lei Orgânica do Município, em vigor desde 1990, mas depende de regulamentação da Câmara Municipal. Os subprefeitos teriam orçamento próprio e trabalhariam com representantes das secretarias. Cada subprefeitura teria autonomia para detectar os principais problemas da sua região e formar seu quadro de funcionários. O ponto mais controvertido é a forma de escolha dos subprefeitos. Há três propostas básicas: eleição direta; nomeação pelo prefeito após apresentação de lista tríplice pelo conselho de representantes; e simples nomeação, pelo prefeito.

Saúde [voltar para o topo]
São Paulo tem um sistema híbrido de assistência à saúde. Mistura unidades gerenciadas por cooperativas médicas e pelo município. Por isso, não cumpre uma das exigências do Sistema Único de Saúde, SUS - a municipalização do atendimento básico -, deixando de receber 250 milhões de reais por ano do governo federal. A prefeitura arca com 150 milhões de reais anuais em salários de 10.400 funcionários que não aderiram às cooperativas e estão subaproveitados em outras secretarias. Diante da falta de integração com o Estado, as unidades básicas são mal aproveitadas e os hospitais de alta complexidade acabam ficando lotados. A cidade tem um número aceitável de leitos (2,75 para cada 1 000 habitantes, quando a recomendação da Organização Mundial da Saúde, OMS, é de 3 por 1.000), mas são mal distribuídos.
Sugestões: Definir um rumo para a saúde. Para receber a verba do SUS, a prefeitura deve municipalizar as unidades básicas. É preciso integrar os serviços municipais e estaduais, montando uma rede hospitalar que atenda de forma equânime às diversas regiões. Nos bairros, ficariam as unidades básicas. Cada região teria seu hospital de referência e ambulatórios de especialidades. Esses hospitais estariam ligados a uma unidade de alta complexidade. Assim, seria reduzida a superlotação em hospitais como o Hospital das Clínicas. Estima-se que 90% dos casos possam ser resolvidos em unidades básicas bem equipadas, 9% em hospitais gerais e apenas 1% em hospitais superespecializados. Duas outras ações devem ser estudadas: construção de novos hospitais e adoção de um programa de agentes comunitários de saúde.

Dívida municipal [voltar para o topo]
A situação da prefeitura é dramática. Ela tem uma dívida de 16,5 bilhões de reais - mais de duas vezes o orçamento anual, de 7,6 bilhões. Já em 2001, o novo prefeito precisará desembolsar até 13% da receita líquida do município (780 milhões de reais) para cumprir o acordo firmado entre Pitta e o governo federal na renegociação de 10,5 bilhões de reais. Também herdará um débito de 1,47 bilhão em restos a pagar (350 milhões de reais por ano). Acrescentando-se as despesas fixas com pessoal (3 bilhões por ano) e custeio (2,2 bilhões) o desembolso chega a 6,3 bilhões, apenas 100 milhões a menos que todo o dinheiro que entrou nos cofres municipais no ano passado. Há mais. Para conseguir juros de 6% ao ano, Pitta comprometeu-se a quitar 20% do valor renegociado (2,1 bilhões de reais) em trinta meses. O acordo proíbe novos financiamentos, com exceção de 200 milhões de reais para a recuperação do centro e outros 741 milhões para transporte público.
Sugestões: Renegociar com os credores e reforçar o caixa. A renegociação pode começar com fornecedores. Fazendo isso e controlando o orçamento, a nova administração pode reduzir os gastos de custeio e investir em outras áreas. O novo prefeito terá de tentar com o governo federal uma redução nos 13% da receita comprometidos com a dívida. O mesmo vale para os 2,1 bilhões que devem ser pagos em trinta meses. O município possui 7 bilhões de reais em imóveis e pode vender parte deles. Também é possível obter recursos com a cobrança de parte da dívida ativa. São 5,8 bilhões de reais que a prefeitura tem a receber. Outra possibilidade de fazer caixa é a privatização de órgãos, como o Anhembi, o Estádio do Pacaembu e o Autódromo de Interlagos.

Funcionalismo [voltar para o topo]
Problematização: Muitos paulistanos têm verdadeira ojeriza ao funcionalismo público. Quem já enfrentou fila em alguma repartição municipal entende o porquê. Poucos órgãos de prefeitura contam com estrutura adequada ao atendimento. Os funcionários se queixam de vencimentos defasados (o sindicato reivindica 147% de reposição salarial), da falta de uma política de aperfeiçoamento profissional e de planos de carreira. Trata-se de uma máquina gigantesca, com 105 000 funcionários. O salário médio do pessoal da ativa é de 300 reais. Muitos, porém, são contratados por autarquias, como Anhembi e Prodam, e, comissionados, chegam a receber trinta vezes mais.
Sugestões: É preciso motivar quem está do lado de trás do balcão. Para isso, é essencial rever a política salarial (verificar quais cargos têm salários incompatíveis com a função e negociar dívidas na Justiça), implantar planos de carreira, informatizar os órgãos públicos e capacitar os funcionários para o uso da nova tecnologia. Basta uma gerência competente para identificar quem está trabalhando e quem está apenas fazendo número. É necessário ainda aplicar mecanismos de punição aos maus servidores (inquérito, suspensão e exoneração) e restringir as contratações sem concurso apenas a cargos que sejam realmente de confiança, como no caso dos chefes de gabinete.